O filme CHUVA É CANTORIA NA ALDEIA DOS MORTOS, de João Salaviza e Renée Nader Messora, fará sua estreia mundial na Seleção Oficial do Festival de Cannes 2018, que começa no próximo dia 8. O longa foi selecionado para a mostra Un Certain Regard, que há sete anos não contava com uma produção brasileira, e que terá Benício del Toro como presidente do júri.


Rodado ao longo de nove meses na aldeia Pedra Branca (Terra Indígena Krahô, no Tocantins), sem equipe técnica e em negativo 16mm, o filme acompanha Ihjãc, um jovem Krahô que, após um encontro com o espírito do seu falecido pai, se vê obrigado a realizar sua festa de fim de luto.

As filmagens foram precedidas por uma longa relação de Renée com o povo Krahô, que se iniciou em 2009. Desde então, a diretora trabalha com a comunidade, participando na mobilização do coletivo de cinegrafistas e fotógrafos indígenas Mentuwajê Guardiões da Cultura. O trabalho do grupo é focado numa utilização do audiovisual como instrumento para a autodeterminação e o fortalecimento da identidade cultural. Em 2014, João Salaviza conheceu os Krahô e, juntos durante longas estadias na aldeia, começaram a imaginar o que viria a ser o filme.

– Esperamos que, com a seleção do filme em Cannes, abram-se janelas e portas de comunicação onde as infinitas questões indígenas possam ser pensadas. Vivemos um momento terrível no Brasil e é urgente que o debate seja ampliado porque os direitos constitucionais dos povos indígenas vêm sistematicamente sendo ameaçados – dizem os diretores.

CHUVA É CANTORIA NA ALDEIA DOS MORTOS é produzido por Ricardo Alves Jr. e Thiago Macêdo Correia, da Entre Filmes (responsável pela produção do longa Elon não Acredita na Morte), em coprodução com a portuguesa Karõ Filmes e a Material Bruto, de São Paulo.